Brown v. Board of Education II (freqüentemente chamado Brown II) foi um caso da Suprema Corte decidido em 1955. No ano anterior, a Suprema Corte havia decidido Brown vs. Conselho de Educação, o que tornava ilegal a segregação racial nas escolas. Entretanto, muitas escolas só de brancos nos Estados Unidos não haviam seguido esta decisão e ainda não haviam integrado (permitido a entrada de crianças negras) suas escolas. No processo Brown II, a Corte ordenou que elas integrassem suas escolas "com toda a rapidez deliberada".

Em Brown II, a Suprema Corte também estabeleceu regras sobre o que as escolas precisavam fazer para se desagregar. Finalmente, explicou como o governo dos Estados Unidos se certificaria de que as escolas se desagregassem.

O que decidiu Brown II e como funcionou a implementação

Brown II não apenas reiterou que a segregação era inconstitucional; tratou essencialmente do remédio — isto é, do modo e do prazo para aplicar a desagregação. A decisão, redigida pelo Chief Justice Earl Warren, determinou que a implementação deveria ocorrer "com toda a rapidez deliberada", uma expressão que passou a orientar procedimentos, calendário e supervisão, mas que também deixou margem para interpretações variadas.

Medidas e supervisão determinadas pela Corte

  • Competência dos tribunais federais de primeira instância (district courts): Brown II deixou a cargo desses tribunais a elaboração, supervisão e aprovação de planos locais de desagregação. Eles deveriam avaliar as circunstâncias de cada distrito escolar e ordenar as medidas necessárias.
  • Planos práticos de desagregação: as escolas deveriam preparar e submeter planos que tratassem de questões como matrícula de alunos, atribuição de professores, transporte escolar, organização de bairros escolares e utilização de instalações.
  • Remoção de sistemas duplos: a Corte exigiu o fim de qualquer sistema que mantivesse separação formal ou funcional entre escolas "brancas" e "negras", incluindo a eliminação de políticas que criassem divisões artificiais.
  • Supervisão contínua: os tribunais federais podiam acompanhar o progresso, aprovar cronogramas e impor medidas adicionais quando os planos fossem insuficientes.

Reação, dificuldades e desdobramentos

A frase "com toda a rapidez deliberada" foi criticada por sua vaguidade: muitos estados e distritos escolares do Sul adotaram políticas de massive resistance (resistência massiva), criando atrasos, manobras administrativas e até fechamentos de escolas antes de aceitar a integração. Exemplos notórios incluem a crise de Little Rock em 1957, quando o governador do Arkansas tentou impedir a entrada de estudantes negros na Central High School, obrigando a intervenção do Presidente Dwight D. Eisenhower e do Exército para garantir a ordem e a aplicação da decisão.

Nos anos seguintes, a Suprema Corte e o Congresso precisaram intervir novamente para reforçar a implementação:

  • Cooper v. Aaron (1958) — a Corte afirmou que os estados estavam vinculados às decisões da Suprema Corte e que autoridades estaduais não poderiam recusar-se a cumprir.
  • Green v. County School Board of New Kent County (1968) — rejeitou soluções meramente simbólicas e exigiu esforços efetivos para eliminar estruturas segregacionistas; definiu critérios para que um distrito fosse considerado "unitário" (integrado).
  • Leis federais e decisões posteriores, como a Civil Rights Act de 1964 e o julgamento Swann v. Charlotte-Mecklenburg (1971), ampliaram os instrumentos (por exemplo, transporte escolar e busing) para concretizar a desagregação quando necessário.

Importância histórica

Brown II é importante porque forneceu o procedimento judicial para transformar o princípio constitucional de Brown I em mudanças práticas nas escolas públicas. Ao mesmo tempo, a ambiguidade do prazo e a dependência de tribunais distritais permitindo variação local fizeram com que a desagregação ocorresse de forma desigual e muitas vezes lenta. Ainda assim, Brown II estabeleceu um modelo de supervisão judicial que, ao longo das décadas seguintes, foi reforçado por novas decisões e ações federais até que a segregação legal nas escolas públicas fosse amplamente extinta.