O Lago de Úrmia (Persa: دریاچه ارومیه) é um lago salgado no noroeste do Irã. Está nas províncias do leste do Azarbaijão e oeste do Azarbaijão, e situa-se a sudoeste do mar Cáspio, de forma estreita. É o maior lago do Irã e, historicamente, um dos maiores lagos salgados do mundo; também é considerado o maior lago do Oriente Médio.

A localização do Lago de Úrmia está em 37°42′0″N, 45°18′60″E. Tem uma superfície que varia muito conforme a época e o balanço hídrico, mas costuma ser citada na ordem de 5.200 km² (2.000 milhas²) em períodos de cheia. Em sua maior extensão chega a cerca de 140 km de comprimento e 55 km de largura. Seu ponto mais profundo alcança aproximadamente 16 m (52 pés). Recebe água de treze rios vindos das montanhas próximas e não tem saída para o mar, o que favorece a concentração de sais.

O lago fica entre as províncias do oeste do Azarbaijão e do lestedo Azarbaijão. Tabriz é a maior cidade a leste, e a Úrmia é a maior cidade a oeste. O percurso rodoviário mais curto entre essas cidades contornava tradicionalmente o lago. Nas décadas recentes houve propostas e projetos para construir uma ponte ou ligação direta sobre o lago; iniciativas foram iniciadas em diferentes momentos (anos 1970 e 2000), com alterações e adiamentos ao longo do tempo.

As águas do lago são muito salgadas — bem superiores à salinidade do mar — e a concentração de sal varia conforme o volume de água e a estação do ano: em alguns períodos pode aumentar muito, chegando a valores elevados no final do outono. Essa alta salinidade determina a composição biológica do lago, favorecendo espécies adaptadas a ambientes hipersalinos.

O Lago de Úrmia tem-se reduzido de forma acentuada nas últimas décadas. Isto ocorre porque os rios que fornecem água para o lago têm aportes cada vez menores, além de outros fatores humanos e climáticos.

Ameaças e causas principais

  • Desvio de água para irrigação e construção de barragens nos rios afluentes, que diminuem o escoamento para o lago.
  • Uso intensivo de água subterrânea e superficial para a agricultura nas bacias hidrográficas adjacentes.
  • Mudanças climáticas regionais, com menor precipitação e eventos prolongados de seca.
  • Gestão hídrica inadequada e expansão de áreas irrigadas sem medidas eficientes de conservação de água.
  • Evaporação elevada devido a verões quentes e à redução da superfície líquida do lago, o que intensifica a salinização.

Consequências ambientais, sociais e econômicas

  • Perda de habitat para espécies aquáticas adaptadas ao ambiente salino, como o gênero Artemia (camarões de salmoura) e diversas aves migratórias que utilizavam o lago como ponto de parada e reprodução.
  • Aumento de tempestades de sal e poeira salina quando áreas expostas do leito ficam secas, afetando a saúde humana (problemas respiratórios), solo e agricultura nas regiões vizinhas.
  • Impactos econômicos para comunidades locais dependentes da pesca, turismo e agricultura.
  • Alterações microclimáticas locais que podem agravar secas e reduzir a qualidade de vida nas cidades ao redor.

Esforços de recuperação e situação atual

Ao longo dos últimos anos, autoridades iranianas e organizações nacionais e internacionais lançaram programas de recuperação para tentar restaurar o nível do lago. As medidas incluíram controle do uso da água nas bacias afluentes, reavaliação do funcionamento de barragens, campanhas para aumentar a eficiência irrigatória, projetos de gestão integrada de recursos hídricos e ações de sensibilização. Em meados da década de 2010 o lago atingiu níveis críticos — o que mobilizou amplamente a sociedade e o governo — e, após períodos de precipitação acima da média e algumas ações de gestão, houve recuperação parcial da superfície e do volume em certos anos.

Apesar desses avanços pontuais, o Lago de Úrmia continua vulnerável: a recuperação completa exige políticas de gestão da água de longo prazo, cooperação entre setores (agricultura, energia, meio ambiente) e adaptação às mudanças climáticas. A proteção do ecossistema e das populações humanas que dependem direta ou indiretamente do lago permanece um desafio prioritário para a região.