Em outubro de 1993, o Conselho de Segurança das Nações Unidas criou a Missão de Assistência das Nações Unidas para Ruanda (UNAMIR). Ela deveria ajudar a colocar em prática o acordo de paz de 1993. Entretanto, a UNAMIR não tinha permissão do Conselho de Segurança para proteger os civis ou tentar deter o genocídio. Nesta época, os soldados da UNAMIR só tinham permissão para atirar suas armas em legítima defesa se alguém os atacasse pessoalmente. Eles não estavam autorizados a usar suas armas ou a se envolver para proteger os civis que estavam sendo atacados.
Resposta do Conselho de Segurança
Cada vez mais, as tropas de manutenção da paz da UNAMIR estavam sendo atacadas. Os países começaram a retirar seus soldados de Ruanda. Alguns membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como os Estados Unidos, argumentaram fortemente que a ONU deveria retirar todas as suas tropas de manutenção da paz de Ruanda. Eventualmente, o Conselho de Segurança decidiu diminuir o número de tropas que a UNAMIR estava autorizada a ter. Em 21 de abril de 1994, quando o genocídio estava se espalhando pelo Ruanda, o Conselho de Segurança diminuiu o número de tropas permitidas da UNAMIR de 2.548 para 270 - um decréscimo de quase 90%.
O Comandante da UNAMIR, Roméo Dallaire, continuava pedindo mais tropas às Nações Unidas. Em 15 de maio, o Conselho de Segurança aumentou o número de tropas permitidas pela UNAMIR para 5.500. Entretanto, foram necessários quase seis meses para que os países membros da ONU voluntariassem este grande número de tropas. Enquanto isso, o genocídio continuou.
França e Operação Turquoise
A França se ofereceu para liderar uma missão humanitária no sudoeste de Ruanda enquanto a UNAMIR tentava reunir mais tropas. O Conselho de Segurança aprovou esta missão em 22 de junho de 1994. A França chamou a missão de "Operação Turquoise". Durante esta operação, soldados da França e de outros países estabeleceram uma "zona segura" no sudoeste de Ruanda. Esta era para ser uma área onde as pessoas poderiam vir a ser protegidas dos ataques Hutu. Os historiadores pensam que a Operação Turquoise salvou 13.000 a 14.000 vidas. p. 308 Entretanto, a França foi acusada de deixar criminosos de guerra escaparem de Ruanda através da zona segura.
Massacres
Como as tropas da UNAMIR não estavam autorizadas a usar suas armas para proteger civis, as milícias conseguiram massacrar civis mesmo quando as tropas da UNAMIR estavam por perto.
Kigali
Por exemplo, em 7 de abril de 1994, os soldados belgas estavam hospedados em uma escola fora de Kigali. Milhares de Tutsis fugiram de Kigali para a escola, esperando que os soldados os protegessem dos massacres que estavam acontecendo em Kigali. A milícia hutu cercou a escola, mas eles não entraram porque tinham medo dos soldados belgas.
Entretanto, um dia, os soldados belgas partiram. Tinham recebido ordens de partir para que pudessem levar os europeus ao aeroporto a fim de tirá-los do país. Mais tarde, um coronel belga "disse que os jovens soldados lhe disseram que viram os assassinos em seus espelhos retrovisores" enquanto dirigiam para longe. Após a partida dos soldados, a milícia Hutu matou milhares de Tutsis.
Escola Técnica Murambi
Outro massacre aconteceu em Murambi, uma cidade do sul de Ruanda. Quando o genocídio chegou a Murambi, os Tutsis tentaram se esconder em uma igreja próxima. Entretanto, o bispo e o prefeito os enganaram, dizendo-lhes para irem à Escola Técnica de Murambi. Eles disseram que os soldados franceses de lá os protegeriam. Em 16 de abril de 1994, cerca de 65.000 Tutsis correram para a escola. Um sobrevivente disse: "Eles nos deram quatro [soldados franceses] para proteção, mas a partir de 17 de abril nunca mais os vimos".
Depois que chegaram à escola, os Tutsis não tinham comida. A água da escola também foi cortada, de modo que os Tutsis estariam fracos demais para ripostar. Os Tutsis ainda eram capazes de ripostar por alguns dias, usando pedras. No entanto, em 21 de abril, a escola foi atacada pela Interahamwe. Eles mataram cerca de 45.000 Tutsis na escola. Os outros 20.000 Tutsis correram para uma igreja próxima para se esconderem, mas a milícia os encontrou lá e matou quase todos eles.
A escola é agora um museu do genocídio. O museu diz que apenas 34 das 65.000 pessoas sobreviveram ao massacre. Também diz que após o massacre, os soldados franceses voltaram e enterraram os corpos em valas comuns. Depois colocaram um campo de voleibol sobre as valas comuns para esconder o que aconteceu.
Relatório independente sobre o "fracasso" da ONU
Em 1999, Kofi Annan, o Secretário-Geral das Nações Unidas, pediu um relatório independente sobre o genocídio ruandês. Ele queria saber por que as Nações Unidas e o mundo haviam "falhado" em deter o genocídio ruandês. O relatório dizia que os maiores fracassos foram:
- Não ter recursos suficientes (como tropas de manutenção da paz para enviar)
- Países que não têm a "vontade política" de ajudar Ruanda (os países não consideraram importante ajudar Ruanda, e não pensaram que conseguiriam alguma coisa com a ajuda)
- Países que não perceberam como as coisas estavam ruandesas